A importância da escolha de rota na exportação

Recentemente, o importante eixo estratégico Canal de Suez no Egito ficou bloqueado por um navio cargueiro. Essa é uma importante passagem para o comércio internacional, pela qual todos os dias aproximadamente 50 navios passam por ela. O canal fechado significa atraso na entrega de suprimentos, congestionamentos e falta de container em diferentes países.



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Imagem do site Vesselfinder mostra trânsito no Canal de Suez na quarta-feira (24) — Foto: Reprodução/Vesselfinder.com

O exemplo acima ilustra como adversidades do Comércio Exterior podem gerar complicações a toda cadeia de suprimentos. Justamente por situações como essa é que exportadores devem estar atentos para driblar possíveis atrasos logísticos através da definição de uma nova rota para os próximos embarques.


Neste artigo iremos abordar a importância de um bom planejamento nas rotas de exportação e como isso pode favorecer exportadores e players que atuam na área.


Por que fazer o estudo de rotas?


Assim como o que ocorreu no Canal de Suez, são muitas as adversidades que podem acontecer em uma operação logística. Por isso, quanto maior a previsibilidade das operações, menos surpresas negativas os players terão.


Muitas vezes uma mercadoria que será exportada terá de percorrer grandes distâncias no país até chegar no porto ou aeroporto em que será embarcada, esse trajeto ocorre normalmente no modal rodoviário e, além disso, é comum na rota para outros países ainda necessitarem de transbordo (a troca da carga para outro navio). Visto a complexidade a que uma exportação pode se sujeitar, nota-se a importância de estudar rotas logísticas e como isso pode beneficiar a operação nos seguintes fatores: gerenciamento de risco, análise de custos, visibilidade operacional, tempo de trânsito e sustentabilidade.


Gerenciamento de risco e visibilidade operacional


Através do estudo da rota é possível gerir adversidades e até mesmo antecipá-las, ao passo que a visibilidade operacional proporciona segurança à carga. Conhecendo a rota logística é possível identificar possíveis riscos e, consequentemente, adotar melhores práticas, políticas e metodologias.


Mapeamento dos custos


Muitos custos cobrados em uma operação de transporte internacional estão associados à escolha da rota, por esse motivo é necessário conhecer quais taxas são aplicadas em determinados locais e identificar onde isso ocorre com frequência.


Além de pedágios, que são as mais comuns, existem outras taxas que são cobradas em determinadas regiões que estejam em guerra, por exemplo, ou em que exista alta incidência de roubo, ou lugares onde há dificuldade na atracação do navio.


Para cada movimento não planejado que acontece existem custos: a taxa de congestionamento, a capacidade de eficiência de armazéns e terminais, a greve dos caminhoneiros.


Leia mais: Sobretaxas que podem ser cobradas no modal marítimo.


O estudo de rotas deve apresentar diferentes cálculos de viabilidade financeira, incluindo os fatores de risco e seus custos.


Tempo de trânsito


Desde 2020 a logística internacional está enfrentando muitos desafios que podem atrasar a operação: cancelamento de voos, falta de contêineres, blank sailing, congestionamento, greves e altas taxas nos valores de frete internacional.


O estudo de rotas pode ajudar a fazer com que o tempo de trânsito da origem ao destino seja reduzido.


Muitas vezes algumas rotas são mais caras, porém o tempo de trânsito é menor, por esse motivo é inteligente verificar com qual agilidade essa carga deve chegar ao destino.


Sustentabilidade


A sustentabilidade e preservação do meio ambiente é uma pauta que está sendo muito discutida por autoridades mundiais e empresas privadas. É possível escolher uma com eficiência sob o aspecto econômico e ambiental. Duas opções que podem substituir caminhões nas estradas e, consequentemente, diminuir a poluição são: o corredor de exportação e a cabotagem.


Como escolher a rota para exportação?


Para realizar o estudo de rotas e escolher a ideal para cada embarque é necessário estar atento a um histórico de informações relevantes, os KPIs (Key Performance Indicator, ou seja, Indicadores-chave de Desempenho) podem te ajudar a realizar esse estudo.


Leia mais: Inteligência de mercado no Comércio Exterior


Eficiência logística


O estudo dos modais é importante e quatro são os fatores que devem ser analisados ao escolher um deles:

  • Urgência;

  • Possibilidade de intermodalidade;

  • Acondicionamento da mercadoria; e

  • Tamanho e quantidade da carga.


Lembrando que não existe o melhor modal, mas sim aquele que melhor se adequa ao embarque.


Para definir a rota mais adequada é necessário também entender os diferentes tipos de infraestrutura pela qual a carga irá passar: principais atividades do complexo logístico, tecnologias utilizadas, capacidade de armazenagem e segurança.


Hoje existem diversos portos e aeroportos automatizados no mundo, principalmente na China e Europa, escolher um local com essa tecnologia pode acelerar a operação e ter maior eficiência que portos com operações manuais.


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Planos alternativos e um bom networking

É muito difícil prever todos os tipos de riscos que podem acontecer na logística, até porque tal atividade tomaria grande parte do tempo da equipe apenas para estudo e é simplesmente impossível prever o futuro, algo novo sempre pode acontecer, como uma tempestade de areia, por exemplo. Tais ocorrências podem interferir no planejamento das rotas, por isso, é importante ter planos alternativos, deixar a equipe preparada para lidar com algo inesperado e possuir um grande networking que possa te auxiliar com outras soluções.


Atualização constante nas notícias internacionais


Muitas vezes o que acontece na política externa pode influenciar a logística internacional, em casos extremos, países que possuem conflitos, por exemplo, podem não aceitar uma carga procedente da nação que não o apoia. Por isso, é necessário estar sempre atualizado nas notícias do mundo e possuir parceiros que lhe ajudem a realizar a gestão inteligente dos processos.


Big Data para exportadores


Big Data é a coleta, organização e apresentação de uma grande variedade de dados que, transformados em informações, podem possibilitar uma melhor tomada de decisão para a escolha das rotas e para a negociação internacional, além de contribuir com o aumento da competitividade no mercado.


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Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco


Kauana é formada em Negócios Internacionais e é pós-graduanda em Big Data & Market Intelligence. Kauana é a fundadora da ComexLand, onde atua como especialista em marketing focado para empresas do Comércio Exterior e Logística Internacional.



Esse artigo foi escrito especialmente para a LogComex!


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