Quais produtos registraram alta na importação?

Importação de trigo


Em 2019 o IBGE constatou que mais de um terço da população realiza suas refeições fora de casa, porém esse cenário mudou em 2020 com o isolamento social. Trabalhadores que almoçavam e lanchavam em restaurantes e padarias passaram a cozinhar a própria comida.


O consumo de pães, massas e bolos industrializados aumentou significativamente durante o período de isolamento e segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), mesmo com a queda na produção, houve o aumento de 15% a 20% no volume comercializado, comparado ao mesmo período de 2019.


Com o aumento do consumo de produtos industrializados, houve o aumento da demanda por trigo por parte das indústrias. O trigo representou 36,1% das importações do setor agropecuário de janeiro a maio, sendo a commodity do setor mais importada e registrando um aumento no mês de maio de 14% das importações comparado ao mesmo período.



Os países exportadores são: Argentina (91%) , Estados Unidos (4,0%), Paraguai (2,8%), Uruguai (2,1%) e França (0,13%).



Quase todos os estados brasileiros dependem do trigo importado, os principais importadores da commodity são: São Paulo, Ceará, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O Brasil também produz e exporta trigo, porém o período de safra é em setembro, o que faz as indústrias demandarem por trigo importado até lá.


Saúde


Os insumos hospitalares registraram grande alta nas importações (gaze, antissépticos e medicamentos), e consequentemente produtos básicos que são utilizados para a produção de medicamentos, como alguns compostos químicos.


Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, no estado, a compra de produtos de combate ao Coronavírus aumentou 55% no primeiro trimestre do ano, gerando um saldo negativo na balança comercial fluminense.


O estado do Rio de Janeiro afirmou que esse aumento nas importações se referem as máquinas adquiridas (aumento de 106%), incluindo aquelas que produzem máscaras de proteção respiratória e controles faciais de temperatura.


Bens de capital


Bens de capital, também chamados de BIK, são mercadorias para produzir bens de consumo, no primeiro quadrimestre houve um crescimento de 19,2% comparado ao mesmo período de 2019.


As importações de bens de capitais possuem o benefício fiscal, EX-Tarifário, ou seja, atualmente a alíquota de imposto de importação é zero.


Fertilizantes


O agronegócio mais uma vez se mostrou o protagonista das exportações brasileiras e como sabemos esse setor depende de fertilizantes para conseguir cumprir a safra desejada.


O Fosfato Monoamônico (MAP) pode ser utilizado em qualquer tipo de cultura, por esse motivo, é uma grande mercadoria importada pelo Brasil, em maio registrou um aumento de 26% comparado ao mesmo período do ano passado.


O cloreto de potássio também registrou alta na importação. Mais de 95% da produção mundial de potássio é usada como fertilizante, portanto o crescimento da importação desse produto se deve a utilização do mesmo como adubo na agricultura, sendo considerado um ótimo fertilizante.



Plataforma de petróleo


Através do RECOF-SPED, no mês de maio, houve a nacionalização das plataformas de petróleo que antes eram registradas como estrangeiras, isso impactou bruscamente na balança brasileira, pois operações de compra para a plataforma passaram a ser consideradas como importação.


Abaixo notamos o gráfico com o aumento das importações, desde 2018 quando iniciou o processo de nacionalização das plataformas.



Conclusão:


O Coronavírus mudou os hábitos de consumo de muitas pessoas, dessa forma forçando a indústria a adquirir mais trigo externo; os insumos hospitalares e medicamentos contribuíram para o aumento das importações; com maior venda de produtos agrícolas, a demanda por fertilizante aumenta havendo necessidade de aumento das importações; a nacionalização das plataformas de petróleo mudaram significativamente a balança comercial, aumentando muito os valores das importações.



Fonte:

  • Relatório maio LogComex

  • ComexVis

  • ABIMAPI

  • Firjan Internacional.


Essa análise foi realizada por Kauana Pacheco para a LogComex

Kauana é formada em Negócios Internacionais e cursa pós-graduação em Big Data & Market Intelligence. É criadora da página de conteúdo sobre Comércio Exterior, a ComexLand, onde escreve sobre Economia Global e Comércio Internacional.


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