"O que você faz?"

Eu trabalho com Comércio Exterior, para os íntimos, comex. Muitas pessoas me perguntam o que eu faço e é sempre uma dificuldade explicar em poucas palavras: “eu compro e vendo do exterior”; “eu negocio com o mercado internacional”. Até mesmo quando me prolongo um pouco, nunca consigo passar a verdadeira percepção do que é esse trabalho e a pessoa fica sempre com cara de “parece chato, próximo”.


Não nasci querendo exercer essa profissão. Na infância eu desenhava e achei que seria arquiteta. Quando chegamos na “fase de escolha” do que seguir na vida, ou pelo menos o início dela, ninguém nos conta que existem infinitas profissões que não estão na lista básica. Estou aprendendo francês e essa semana tive que ver um vídeo de profissões para treinar a escuta. Minha professora havia me dado uma lista com “médico, advogado, engenheiro” e por aí fora. Quando vi o vídeo, profissões desde “Botânica” até “Auditor de integração de imigrantes” aparecem. Depois que você vê que a sociedade é muito mais do que as profissões das listas, você entende que suas opções são muito maiores, talvez infinitas. Seguindo as profissões mais conhecidas ou não, existe espaço e lugar para todos.


Diante de tudo o que estamos enfrentando atualmente e lendo um post do @comexland, comecei a me questionar se meu trabalho faz alguma diferença na sociedade, pois muitas vezes essa sensação fica atrelada ao Terceiro Setor. O comércio internacional tem como prerrogativa, de forma resumida, comprar mercadorias e serviços de outros países, em base para suprir a falta de algo que o mercado interno não consegue entregar, ou vender aquilo que produzimos de excedente ou que queremos vender para expandir o mercado e suprir o gargalo de outros países. Se trata de uma avaliação, em que são exploradas as vantagens comparativas entre os países, para analisar o custo de oportunidade da produção, compra e venda de produtos dentro ou fora do país.


O comércio internacional impulsiona o crescimento econômico pois afeta toda a cadeia. Ou seja, sem ele toda a realidade do mercado seria diferente. O consumo se altera em função dos preços de produtos importados e exportados, pois a oferta de produtos e serviços muda. Isso impacta diretamente na vida de cada um de nós, seja na perspectiva macro do que nossa sociedade consome, ou nos nossos salários e mudanças de mercado. Com o comércio exterior, também abrimos portas para aprender e inovar. Afinal, a aparência da nossa balança comercial é o que determina como o país está aos olhos do mundo, atraindo ou não investimentos, emprego e renda.


Em termos práticos, podemos citar o exemplo da pandemia. Sem a importação não seríamos capazes de trazer incontáveis medicamentos, aparelhos hospitalares, testes de detecção, etc, que salvaram e estão salvando milhares de vidas. Para que isso fosse/seja possível, milhares de brasileiros atuantes no Comércio Exterior lidaram com desafios de legislação, balança cambial, custos logísticos, entre outros. A Júlia de anos atrás jamais imaginaria que isso tudo acontecia em quanto lia a lista de profissões que a entregaram para escolher. E você, já refletiu sobre a importância da sua profissão?


Nosso processo de entendimento como cidadãos deve começar por onde atuamos e por que fazemos o que fazemos.


Julia Caetano é formada em Relações Internacionais pela ESPM Rio e cursa pós-graduação em Gestão de Projetos. Amante do mercado externo, trabalha na área há 4 anos, aprendendo todos os dias com esse mercado mutável além de ser produtora de conteúdo para o ComexLand.