O MERCADO KOSHER E AS RELAÇÕES ENTRE BRASIL E ISRAEL

O termo hebraico “kosher” é utilizado para identificar alimentos que são preparados de acordo com as leis judaicas de alimentação segundo o Torá, texto sagrado do judaísmo. Assim como os árabes possuem critérios religiosos que influenciam no abate e consumo de animais, o Halal, os judeus também possuem suas restrições.

O mercado Kosher também passou por muitos desafios esse ano durante os meses em que as medidas de isolamento estavam mais rígidas em todo o mundo. Uma das maiores dificuldades enfrentadas foi em relação à entrada de rabinos nas fronteiras para a realização do abate seguindo todas as normas exigidas.


Segundo os critérios Kosher,  o ritual de abate de bovinos e frangos, conhecido como Shechita, é realizado por uma pessoa treinada, denominada Shochet e é feita a Beracha, uma oração especial, antes do abate. Esse ritual tem por objetivo realizar o abate sem que o animal sofra e eliminando o máximo de sangue possível. Outro ponto importante no ato da degola do animal é a precisão do corte que deve ser realizado nas artérias, não atingindo as vértebras cervicais.


Além dessas peculiaridades no abate, há também os animais e partes do corpo permitidas ou não:


COMÉRCIO INTERNACIONAL


Grandes parceiros de Israel, a Argentina e o Uruguai passaram a priorizar a China em suas exportações, abrindo espaço para que o Brasil expandisse suas atividades em Israel. No primeiro trimestre de 2020, notou-se uma alta de mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo da redução da oferta dos nossos países vizinhos.


A Argentina possui a maior população judaica da América Latina, o que os aproxima ainda mais de Israel, tanto que em Buenos Aires há o único Mc Donald’s Kosher fora de Israel. Lá, um rabino supervisiona toda a operação para garantir que todos os protocolos sejam cumpridos e uma das principais diferenças é a falta do queijo nos hambúrgueres, pois os judeus que seguem essas normas não misturam carnes com ovos nem com leites e seus derivados. Não há também carne de porco nem frutos do mar e as carnes são oriundas de frigoríficos certificados.


RELAÇÕES COM O BRASIL


Israel, o país com a maior comunidade de judeus do mundo, é um dos parceiros comerciais do Brasil. Durante esse ano, o país se encontra na 54ª posição no ranking de destino das nossas exportações e em 31º lugar dos países de que o Brasil mais importa. Assim como em 2019, a relação é deficitária para o Brasil. Nesse ano, o valor importado é US$472 milhões superior ao valor exportado.


O principal produto brasileiro exportado para Israel, é justamente a carne bovina, cujo abate e preparo seguem todos os protocolos citados acima. O milho e a soja também integram o top 3 dos produtos mais exportados para os israelenses. Já na importação, os maiores destaques são para adubos, fertilizantes químicos, inseticidas, compostos organo-inorgânicos e demais itens da categoria. As exportações desses produtos estão relacionadas também ao intercâmbio de conhecimento na área científica entre os dois países. Desde os anos 60, Israel contribui para o desenvolvimento da nossa agricultura fornecendo técnicas de irrigação em regiões semi-áridas.


Além das relações comerciais, o Brasil possui laços com Israel por ter sido um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel em 1948. Logo em seguida, em 1951, foi criada a Legação do Brasil em Tel-Aviv que veio a se tornar Embaixada 7 anos depois, e Israel também inaugurou sua Embaixada no Brasil.


Iara é graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior. Produtora de conteúdo na página ComexLand com experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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