O MAIOR ACORDO COMERCIAL DO MUNDO

Na última semana, a China anunciou a assinatura do RCEP (sigla em inglês de Parceria Econômica Regional Abrangente), o maior tratado comercial do mundo, que abrange quase 1/3 da economia mundial, US$26 trilhões, equivalente a 29% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) no mundo e 2,2 bilhões de habitantes. Esse acordo já estava em andamento há quase 10 anos e foi assinado na capital do Vietnã, Hanói, e em Pequim de forma remota no dia 15 de novembro pelos 10 membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) além da China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.


Durante a década de negociações, a Índia chegou a fazer parte, mas desistiu da assinatura do acordo cogitando a possibilidade de que as reduções das tarifas pudessem prejudicar o mercado interno.

A ASEAN, fundada em 1967, tem a finalidade de promover a cooperação entre seus membros em diversas áreas como economia, educação, cultura, segurança, estabelecendo a paz e a justiça. São os atuais países-membros: Tailândia, Filipinas, Malásia, Singapura, Indonésia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja.

O tratado em questão, irá eliminar as tarifas de importação pelos próximos 20 anos, incentivando novas parcerias entre os membros. A ideia inicial do RCEP partiu da China como forma de se opor aos Estados Unidos, principalmente com os conflitos que vem ocorrendo durante o governo Trump que está buscando um afastamento dos países asiáticos.


No entanto, a partir do próximo ano com o governo Biden nos EUA, a expectativa do mercado é que os EUA retomem uma postura multilateral podendo voltar até mesmo a integrar a Parceria Transpacífica (em inglês, TPP – Trans-Pacific Partnership), contrariando o “America First” de Donald Trump.


MULTILATERALISMO E EXPANSÃO DA CHINA


Alguns países que a China não tem relações tão pacíficas, como Japão e Austrália, fazem parte do acordo e “relevar” essas disputas políticas foi essencial para a criação de algo tão grande e que poderá beneficiar a todos eles.


Apesar da política comunista vigente na China, o primeiro ministro Li Keqiang saudou a assinatura do acordo como a “vitória do multilateralismo”, opondo-se ao protecionismo e demonstrando interesse no livre comércio. Superando a grande União Europeia e o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, o RCEP representa um avanço importante em termos de globalização.


Para a China, o acordo é um meio de expandir sua influência e ganhar ainda mais força na região, além de reduzir os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos.


O QUE PODE OCORRER COM O BRASIL?


A expectativa é que até 2030 os quinze países que fazem parte do acordo tenham acréscimo de US$428 bilhões, enquanto os não-membros sofram perda de quase US$50 bilhões.


Com o crescimento acelerado da China nos anos 2000 e a explosão da demanda por matérias-primas, o país recorreu à diversos mercados sul-americanos como fornecedores. Com a facilitação das transações entre os membros do RCEP, as relações com os países da América do Sul podem ser comprometidas. Para evitar perdas, o Mercosul terá que buscar formas de criar acordos e parcerias com o novo bloco.


Mas especialistas não acreditam que as exportações de commodities brasileiras serão afetadas, pois a China, principal destino das nossas exportações, já possuía acordos de livre comércio com países asiáticos e ainda assim demandava nossas mercadorias, pois não temos fortes concorrentes locais em soja, minério de ferro, petróleo, carne congelada bovina, pastas químicas de madeira, açúcar e carnes, nossos principais produtos destinados à Ásia.


Iara é graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior. Produtora de conteúdo na página ComexLand com experiência de mercado na área comercial, de logística e importação.

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