IMPORTAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL.

Atualizado: Ago 23

Quando se tratam dos produtos importados pelo Brasil em 2020, logo pensamos nos produtos médicos e hospitalares, bens de consumo, eletrônicos, produtos de marcas famosas, dentre outros.


Mas hoje, trouxemos dados de um outro tema que nos chamou bastante atenção: a importação de energia elétrica.


Utilizando os dados do Comex Stat - o portal de Estatísticas de Comércio Exterior, há uma separação entre as quatro principais categorias de importação e exportação: indústria de transformação, indústria extrativa, agropecuária e outros produtos. Dentro desse último grupo, o setor de energia elétrica representou uma parcela significativa nas importações e gerou um gasto de quase US$15 milhões para o Brasil nos cinco primeiros meses de 2020. Com a queda da demanda por energia elétrica durante esse período de pandemia, nota-se a redução de 54% em relação ao mesmo período de 2019, mas ainda assim, ela se destacou na pauta dos produtos importados pelo Brasil em 2020.


Fonte: ComexStat – dados de jan-junho/2020 em relação ao mesmo período do ano passado.


Apesar do Brasil ser dono de 50% da segunda maior usina hidrelétrica do mundo, a Binacional de Itaipu, ainda é necessário recorrer à oferta estrangeira para suprir toda a necessidade de energia no país. A usina de Itaipu fornece cerca de 15% da energia consumida no território brasileiro, e se somado às demais hidrelétricas, atendem juntas aproximadamente 70% da demanda energética nacional.


O Brasil se destaca como o maior importador de energia elétrica na América do Sul, importando quase 87% de toda energia negociada entre os países da região (dados de 2018), enquanto o Uruguai lidera a lista como o principal exportador, seguido da Venezuela e Argentina.


Em 2018, a importação de energia elétrica registrou a maior alta em 17 anos no Brasil. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Argentina e o Uruguai exportaram juntos 1131 GWh, essa necessidade se deu pela baixa nos reservatórios. Percentualmente dizendo, as importações foram de apenas 0,24% de toda a energia consumida no Brasil, um valor que “parece baixo", mas acaba sendo bastante relevante visto que uma alternativa à importação, seria utilizar da energia termelétrica que produzimos internamente, porém, seu custo é muito mais elevado, pesando para o consumidor final. Além da vantagem do custo reduzido, a importação também contribui para poupar água das hidrelétricas e garantir nos períodos de seca.


A energia elétrica que importávamos da Venezuela não foram contabilizadas nesses dados de 2018, pois o país atendia apenas o estado de Roraima entre os anos de 2001 a 2019 através do Linhão de Guri inaugurado por Hugo Chávez e Fernando Henrique Cardoso. Roraima é único estado brasileiro não interligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), mas após vários conflitos relacionados ao pagamento, crise humanitária e aos apagões venezuelanos constantes, a Roraima Energia (ex-subsidiária da Eletrobras), vem intensificando o uso das usinas termelétricas para o fornecimento energético no estado.


Há também alguns casos de exportações emergenciais que o Brasil fez aos países vizinhos, e em julho desse ano, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou as portarias 268 e 272/2020 que autorizam a Petrobras e a Tradener, respectivamente, a exportar energia elétrica para a Argentina e Uruguai, a autorização é válida até 31 de dezembro de 2022 desde que não cause aumento nos custos de energia para os brasileiros.



Iara é graduanda em Relações Internacionais e Comércio Exterior. Produtora de

conteúdo na página ComexLand com experiência de mercado na área comercial,

de logística e importação.

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