Comércio exterior: ame-o ou deixe-o


Durante minha graduação em Relações Internacionais, fui a única da minha turma a escolher seguir o caminho do comércio exterior por livre espontânea vontade.Comecei o estágio na área e logo de cara me apaixonei por todos os detalhes que tornam a logística internacional algo tão envolvente e, diga-se de passagem, viciante.


No entanto, esse foi um movimento muito atípico dentro da bolha em que eu vivia. Durante grande parte da minha graduação escutei que comércio exterior se resumia a burocracias e papelada. Que não passava de uma rotina chata e nada emocionante. Que era o caminho mais fácil para quem fazia Relações Internacionais e precisava de emprego.


Hoje, atuando na área, ao pensar nisso vejo como a falta de informação e os mitos podem levar à entendimentos que não só distorcem a visão real das coisas, assim como distanciam pessoas que poderiam acabar se apaixonando por comex e sequer sabem o que estão deixando de viver. Por isso, abaixo tento desmistificar alguns mitos sobre essa tão temida carreira de comércio exterior:


1. É tudo burocracia e papelada


Sim. É muita burocracia. Sim, ainda tem muito papel. Não, não é tudo assim e com certeza não será no futuro.


O comércio exterior é uma área muito interessante caso você pense no nível de relevância que ela tem sobre a sociedade. É uma área que mesmo que sofra com mudanças de governos, políticas protecionistas, guerras e pandemias, sempre estará lá, presente, cuidando do abastecimentos dos países. Nenhum país sobrevive sozinho.


Portanto, muita coisa tem mudado. No Brasil, prevemos mudanças significativas para a integração de todos os canais de comex , que prometem reduzir a famosa papelada e , acima de tudo, diminuir prazos e aumentar a qualidade da operação.


Além disso, é muito importante, antes de falar da burocracia e papelada, que se entenda que, como em qualquer outro trabalho, existem diversos participantes que cuidam de diferentes processos, mesmo que todos estejam englobados dentro do comércio exterior.


Despachantes, importadores, exportadores, advogados aduaneiros, transportadoras , agentes de cargas, companhias áreas, etc etc etc. Se você acha que vai amar comex, ou se já o faz, e não gosta tanto assim de “toda” a burocracia, não é preciso largar o barco. Mude de direção, mas sem sair do caminho desejado. Veja que talvez o problema não esteja na área, mas sim no trabalho exercido naquele momento. Nunca é tempo de mudar, e se você sabe do que gosta e não gosta, fica mais fácil ainda iniciar essa mudança.



2. Rotina chata e sem emoção


Todas as vezes que já escutei isso, tive certeza que a pessoa que falou nunca trabalhou com comex. Definitivamente considero esse o maior mito da área, pois de sem emoção o comex não tem nada. Admito na verdade, que muitas vezes desejei que fosse verdade.

Se tem uma coisa que comércio exterior é, é ser imprevisível. Estamos expostos a tantos fatores que podem impactar a operação , que chega difícil mensurá-los. Não somos todos meteorologistas para saber quando o clima vai impedir nosso voo de alçar. Nem sempre sabemos quando o câmbio vai disparar. É impossível prever todas as manobras que os países farão durante uma crise de saúde. E assim, nossos dias tornam-se um conjunto de fatores inesperados que precisam ser superados e gerenciados para que no final tudo corra bem.


Parte do nosso trabalho como profissionais de comércio exterior é ter uma grande análise de riscos, para mitiga-los e então tentar tornar a nossa rotina chata e sem emoção assim como dizem. No entanto, a verdade é que todo dia somos surpreendidos por um furacão fora de hora, um voo atrasado, um presidente que quer mudar as regras do jogo, ou uma doença que mata milhões. Digo sempre que é a imprevisibilidade da área, e consequentemente o nosso constante aprendizado, que nos faz ótimos gestores de crises e grandes viciados em logística.


3. É o caminho mais fácil para quem faz Relações Internacionais


É muito importante lembrarmos: Relações Internacionais e Comércio exterior não são a mesma coisa. Ter isso em mente ajuda muito a entender os comentários daqueles que pretendem seguir carreira em diplomacia, terceiro setor, setor público, política, academia, etc, a dizer que é o caminho mais fácil.


Isso deve-se muito pois os estudantes de Relações Internacionais em sua maioria sempre se enquadram nas vagas de comércio exterior.


“Falar dois idiomas”

“Gostar de um ambiente interativo e saber lidar com diferentes culturas”


O que significa, na prática, que muita gente que precisa de um emprego acaba indo para comércio exterior só por preencher os requisitos, e não por ser aquilo que realmente quer.

Essa onda de “ foi o que consegui para agora” pode ser importante para o aprendizado .


Descartar opções antes de conhece-las pode ser um grande erro de principiante .


Contudo, ainda mais importante do que tentar , é reconhecer que você nem sempre é o público alvo daquilo que lhe é oferecido.


4. Trabalhar significa vender seu tempo.


Isso mesmo. Vender seu tempo de vida para uma empresa, pessoa, organização, etc. Se você esta “dando” sua vida por algo que não lhe agrega, talvez o problema esteja na dificuldade em reconhecer aquilo que realmente faz sua alma vibrar.


Por essas e outras que nós de comex dizemos: ame-o ou deixo.


Nunca deixei sua opinião sobre uma profissão, ou na verdade, sobre qualquer coisa, ser formada com base somente naquilo que te contaram. Viva, experimente. Aprenda.


Talvez você se surpreenda como aquele emprego “chato, sem graça e repetitivo” pode ser uma chave para um mundo completamente novo.


Afinal, quem faz a fama são só aqueles que tiveram coragem de tentar. Se você tem vontade de trabalhar com comex e não sabe por onde começar, dê uma olhada em mais textos da Comexland e descubra em qual time você está.



Você ama o que faz ou jogaria tudo para o alto sem pensar duas vezes?


Artigo escrito por Julia Caetano:


Julia Caetano é formada em Relações Internacionais pela ESPM Rio e cursa pós-graduação em Gestão de Projetos. Amante do mercado externo, trabalha na área há 4 anos, além de ser produtora de conteúdo para a ComexLand.


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