Arco Norte: A via para saída de grãos e o desafio logístico brasileiro

Tempo e custo impactam e muito na experiência do cliente. Quando o assunto é o traslado de mercadorias para fora do país, as duas variáveis são ainda mais determinantes. Vale relembrar que por volta da década de 50, o Brasil investiu amplamente no transporte rodoviário e, como consequência, hoje mais de 65% do transporte de cargas dentro do território nacional passa por estradas, em especial, das regiões Sul e Sudeste.


A não urgência com outros modais leva a indagação de como o país continuará escoando sua produção de grãos sem prejudicar suas parcerias estratégicas. O tema deste artigo, Arco Norte, é apontado como uma alternativa que vem mostrando o caminho a ser percorrido para superar um dos principais desafios logísticos do Brasil. Mas qual o diferencial do Arco Norte que o torna especial? Continue a leitura!


ARCO NORTE: IMPORTÂNCIA E DESAFIOS


Primeiro de tudo, as regiões que formam o chamado “Arco Norte'' são aquelas inseridas no paralelo 16°S, inclusive os terminais das regiões Norte e Nordeste.


Sua importância está presente em dados como no primeiro semestre de 2020, período em que houve forte crescimento nas exportações de soja, com alta de 32,3% no Brasil. Os portos que compõem o Arco Norte obtiveram, nesse período, aumento de 19% com a mesma commodity.


O corredor estimula o crescimento da produção do setor agrícola em sete regiões do país, favorece a redução do custo logístico e, por conseguinte, o aumento da competitividade nacional. É peça-chave na medida em que fortalece a cadeia sustentada pelo transporte marítimo e ainda reduz a saturação de outros portos estratégicos, como o porto de Santos e Paranaguá.



OS DIFERENCIAIS DO ARCO NORTE


Uma das vantagens competitivas do Arco Norte está na proximidade com os principais mercados consumidores de grãos. Afinal, para a Europa e os Estados Unidos é mais vantajoso (no que tange tempo e custo) quando a mercadoria localiza-se nas regiões Norte do que as originadas no Sudeste do Brasil. Acerca da demanda asiática, o Canal do Panamá continua sendo a principal via de acesso.


Para se ter uma ideia, em 2019 a produção na região Norte do país atingiu 61 milhões de toneladas de grãos, sendo que 28 milhões de toneladas foram exportadas no mesmo ano. A demanda externa permanece volumosa e dinamizar as formas de escoamento se torna emergencial.


Um aspecto técnico também diferencia o Arco Norte. Os portos que o compõem têm um calado adaptado para navios com maior porte e com grande capacidade de expansão da área portuária e do espaço operacional.




QUAIS SÃO OS PORTOS QUE FORMAM O ARCO NORTE?


Abaixo todos os portos que compõem o Arco Norte:


  • Porto Velho – RO;

  • Miritituba – PA;

  • Santarém – PA;

  • Barbacena – PA

  • Itacoatiara – AM;

  • Manaus – AM;

  • Itaqui – MA



CENÁRIO DOS PRINCIPAIS MODAIS UTILIZADOS NO BRASIL

O transporte rodoviário é o responsável por cerca de 65% do escoamento da produção no país, acomodando desde insumos até produtos industrializados. Como se sabe o custo do frete, dos pedágios e da manutenção das rodovias representam um forte entrave para quem o escolhe.


Em título de comparação, o segundo modal mais utilizado no Brasil é o transporte ferroviário, sendo vantajoso pela sua alta capacidade de carga, com cerca de 5,4%. A diferença de representatividade ilustra a forte dependência que o país possui do modal rodoviário. Dependência essa que veio à tona com a greve dos caminhoneiros em 2018.


Em terceiro lugar, o Brasil usufrui da via aérea que oferece alta capacidade de percorrer longas distâncias (nacionais e internacionais), sendo mais usado para o transporte de eletrônicos ou mercadorias mais frágeis. Não se pode deixar de mencionar que o modal aéreo costuma depender de outro meio para completar o traslado, para que a mercadoria seja direcionada do aeroporto até o contratante.


Ainda nesse ano, o Ministério da Infraestrutura visa um investimento em concessões na ordem de R $128 bilhões. Do total, 72,3% devem ser destinados para o modal rodoviário, 19,4% para o ferroviário, 5,3% para aeroportos e 3,1% para portos.


Diante desse cenário, mesmo que a solução não venha a curto prazo, priorizar outras saídas para o escoamento de grãos trará maior competitividade ao comércio internacional brasileiro. O Arco Norte aponta um caminho para que a logística nacional se torne mais descentralizada e dê novo fôlego ao setor agrícola. Afinal, para manter parceiras de peso é preciso um investimento a mesma altura.



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Artigo escrito por Renato Santos.








Renato é graduando em Relações Internacionais. Produtor de conteúdo na página ComexLand, com experiência de mercado na área de Comércio Exterior e importação.


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