Aço no Comércio Exterior brasileiro.

Hoje, 9 de abril, é celebrado o “Dia do Aço”, data que é comemorada desde 1941 com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e visa lembrar a sociedade da importância deste material para o desenvolvimento da nação.


O aço é um componente de grande relevância para o funcionamento das cadeias produtivas e consequentemente da economia, pois se faz necessário desde a construção civil, eletrodomésticos, indústrias, agronegócio até operações de transporte e movimentação de cargas.


O aço é uma liga metálica feita a partir do ferro e carbono. Dados históricos registram que sua fabricação teve início na Ásia menor cerca de 2000 a.C., época considerada como a Idade do Ferro, período em que diversas sociedades aprenderam a manusear o metal, e desde então tem sido usado cada vez mais no mundo.







A compra e venda internacional pode ocorrer com o aço acabado ou semiacabado (como minério de ferro, ferro gusa e sucata industrial). Os dados das importações e exportações deste material demonstram que o Brasil é um grande exportador dos semiacabados e grande importador do aço, seja ele em placas, em cabos ou peças.


Leia mais:


Os maiores produtores de aço são:


  1. China;

  2. Índia;

  3. Japão;

  4. Estados Unidos;

  5. Rússia;

  6. Coreia do Sul;

  7. Alemanha;

  8. Turquia;

  9. Brasil; e

  10. Irã.


Dados de Importação de aço no Brasil


Os dados que serão apresentados, se analisados no contexto de negócios e relações internacionais, nos informam muito sobre o mercado global de aço e de recursos naturais que são necessários para sua fabricação.


Ao longo dos anos, com o desenvolvimento do Brasil, o país aumentou a sua produção e conseguiu expandir o seu mercado, porém quanto mais indústrias, maior a demanda por esse produto. A China é o maior produtor de aço, portanto é também o maior importador de minério de ferro do mundo: em 2019 o gigante asiático importou 69,1% de todas as importações desse recurso natural, tendo como principal origem o Brasil.


São diversas as destinações que podem ser dadas ao aço. Abaixo analisaremos uma das obras de ferro fundido, ferro ou aço, ou seja, com o aço acabado. Como a logística está envolvida em nosso dia a dia, vamos focar em uma das formas do aço que por serem flexíveis, resistentes e garantirem segurança de cargas que precisam de elevação é essencial para a área, seja em portos, terminais, aeroportos, complexos logísticos ou industriais: o cabo de aço.

Importação de cabo de aço no Brasil:


O cabo de aço é essencial para a elevação de cargas, transporte, construção civil, indústria petroleira, agrícola, automotiva e até mesmo para algumas operações médicas sofisticadas.





As operações de importação de cabo de aço são registradas sob a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 7312.10.90: OUTRAS CORDAS E CABOS, DE FERRO OU AÇO, NÃO ISOLADOS PARA USOS ELÉTRICOS.


Na plataforma Search da Logcomex pesquisamos as importações dos últimos 12 meses (março/20 a fevereiro/21) dessa NCM e foi possível observar alguns dados importantes.


Os principais países dos quais o Brasil importou aço foram:


  • China;

  • Estados Unidos; e

  • Alemanha.





E os principais locais de desembaraço foram:

  • Santos,

  • Itajaí,

  • Rio de Janeiro e

  • Paranaguá.






Ranking das unidades de desembaraço da mais relevante para a menos relevante dos últimos 12 meses.


É provável que por se tratar de importações com grandes volumes o modal mais utilizado é o marítimo:







Distribuição da quantidade de registros por modal de transporte dos últimos 12 meses.


Tendências do mercado de aço:


Com objetivo de proteger o mercado nacional, o ex-presidente americano Donald Trump aumentou as tarifas para importação de aço estrangeiro, estabelecendo exceções em cotas para Brasil, Argentina e Coreia do Sul. No entanto, no quarto trimestre de 2020, essa cota permitida foi reduzida para o Brasil e o ex-presidente alegou uma retração no mercado interno. Atualmente, o novo presidente Joe Biden afirmou que pretende investir US$2,3 trilhões na infraestrutura do país norte americano, para estradas, pontes, hidrovias, ferrovias e rede elétrica. Mesmo pretendendo fazer tais investimentos com aço americano, os Estados Unidos não são autossuficientes em matéria-prima e necessitarão importar mais aço semiacabado, aumentando assim a expectativa de exportadores brasileiros.


Já na China as autoridades estão estudando mudanças tributárias na indústria siderúrgica que incentivam as importações e reduzem as exportações. Sim, você leu certo. Essas mudanças têm como objetivo reduzir a emissão de poluentes na China (e este é um dos setores mais poluentes do mundo). Se esse plano sair do papel, a oferta e demanda a nível global serão afetadas, pois atualmente a China é o maior produtor, importador e exportador de aço e a questão da sustentabilidade será algo discutido não apenas na China, mas em todo mundo.


Em resumo, diante do exposto, vê-se tratar o aço, portanto, de mais um produto de baixo valor agregado entre os exportados pelo país. O minério de ferro foi o 2º produto mais exportado e representou 12,3% de todas as exportações em 2020. Enquanto o aço ficou em 7º lugar nas importações. Ou seja, exportamos matéria prima com baixo valor agregado e importamos o produto acabado.


O aço possui extrema importância em diferentes setores da economia, entretanto o Brasil ainda precisa agregar valor aos seus recursos naturais ao mesmo tempo que enfrenta os importantes desafios da produção de aço paralela à sustentabilidade.



Artigo escrito por Kauana Benthien A. Pacheco





Kauana é formada em Negócios Internacionais e é pós-graduanda em Big Data & Market Intelligence. Kauana é a fundadora da ComexLand, onde atua como especialista em marketing focado para empresas do Comércio Exterior e Logística Internacional.









Artigo escrito para a LogComex

19 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo