A importância de agregar valor ao produto para o comércio internacional.

No comércio internacional há uma grande discussão sobre como o Brasil precisa oferecer maior valor agregado em seus produtos para a exportação. Atualmente, diversos países compram do Brasil matéria prima para concluir sua produção, porém para gerar um maior superávit na balança comercial é necessário começar a vender produtos com valor agregado.


Para conseguirmos importar bens com valor agregado para produzirmos em nossas indústrias, precisamos exportar toneladas produtos primários. Nos primeiros meses de 2020 foi possível observar recordes mensais na exportação de soja do Brasil para o mundo, por outro lado, o país cada vez mais importa produtos com valor agregado, como aparelhos e máquinas eletrônicas. Através desse exemplo observamos que, vendemos soja com baixo valor e compramos outros bens com alto valor.


Agregar valor ao produto é muito mais do que vender, agregar valor é entregar uma experiência ao consumidor de forma que exista um grande diferencial entre você e seu concorrente. Esse diferencial, pode ser o produto pronto para ser usado com uma finalidade, inovação e tecnologia, qualidade, segurança e propósito da marca.


Existem três tipos de valores que podem estar agregados em um produto, são eles:


  1. Valor econômico: Refere-se ao preço e quantidade do produto.

  2. Valor funcional: Refere-se a funcionalidade do produto e sua qualidade;

  3. Valor psicológico: Refere-se às experiências e benefícios que o produto proporciona ao consumidor.


As nações desenvolvidas possuem alto valor agregado em seus produtos para venda internacional, graças aos incentivos do setor público e privado em pesquisa de tecnologia e inovação. Países que não possuem tecnologia dependem de outras nações, como é o caso do Brasil e de diversos outros países no mundo que dependem tanto de países como China e Estados Unidos tanto na importação quanto na exportação.


O primeiro passo para agregar valor ao produto é conhecer consumidor do produto e o mercado. A partir do conhecimento de hábitos e costumes do consumidor e toda a análise política, econômica, social e tecnológica do país, é possível ter um posicionamento estratégico e saber exatamente onde avançar.


Assim como no mercado interno, é importante entender as dores do cliente e entregar a solução. Voltando para o exemplo da venda de soja brasileira: quem compra esse commodity, não irá simplesmente comer a soja, o comprador deste commodity, provavelmente irá utilizar como ração ou para outro fim. Portanto, quanto mais finalizado o produtor conseguir vender esse produto para seu cliente, maior será seu lucro.


A China é um exemplo em conhecer seus consumidores, mesmo o país não sendo uma nação cristã eles fabricam e vendem grandes quantidades de itens com esse tema e até mesmo a bíblia. Outro exemplo, é que mesmo o país não permitindo a transmissão de algumas séries é exportado diversos bens estampados com os principais personagens.


Após conhecer os consumidores e mercado é necessário adaptar os produtos de acordo com a necessidade de cada nação e dessa forma buscar um diferencial perante a concorrência. Muitas vezes no comércio exterior, o fato da embalagem estar correta e a mercadoria segura dentro dela, já é um fator diferencial.


O atendimento também pode ser considerado um fator que agrega valor ao produto, e mais uma vez, o Brasil tem muito o que melhorar nesse quesito. Muitos exportadores só se interessam por vender seus produtos quando o dólar está alto e não se preocupam com o seu consumidor nos outros períodos do ano. Isso gera desgaste no relacionamento entre comprador e vendedor.


Dado o exposto, há muito espaço no cenário internacional para os produtos brasileiros, porém é necessário a geração de valor agregado aos produtos para que haja a viabilidade na balança comercial e desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.



Artigo escrito por Kauana Pacheco para a LogComex

Kauana tem seis anos de experiência no comex, é formada em Negócios Internacionais e cursa pós-graduação em Big Data & Market Intelligence. É criadora da página de conteúdo sobre comércio exterior, a ComexLand, onde escreve sobre Economia Global e Comércio Internacional.


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